Instituto de Tecnologia Social de Guiné-Bissau: geração e compartilhamento de soluções simples para problemas complexos
o anonimato das pessoas. No método escolhido, a
pesquisa se fundamenta em dados empíricos processados qualitativamente. Este método convencional
tem limitações como qualquer outro. A principal
limitação diz respeito à dificuldade de se estabelecer generalizações a partir de casos isolados, pois as
informações obtidas podem não expressar corretamente problemas sociais de Guiné-Bissau. Além
disso, é possível que os funcionários ou gestores dos
órgãos públicos não fossem os que detinham as melhores e mais atuais informações.
Resultados
Uma equipe de três pessoas fez entrevistas
não estruturadas em diversos órgãos em Guiné-Bissau, para conhecer mais das dificuldades do
país e suas experiências passadas, bem como apresentar o projeto do ITS Guiné-Bissau e ouvir
críticas, sugestões e comentários. O Projeto ITS
Guiné-Bissau foi elogiado, pois se percebeu muita simpatia dos entrevistados e uma predisposição
para parcerias e para projetos de desenvolvimento.
Dentre os órgãos pesquisados, podemos citar
a Embaixada do Brasil em Guiné-Bissau, o Centro Cultural Brasil Guiné-Bissau, o Ministério da
Economia, o Instituto Nacional de Investigação e
Tecnologia Aplicada (INITA), o Órgão de Estradas e Pontes, o Governo de Quinhamel, o Ministério de Meio Ambiente, o Ministério da Saúde,
o Ministério da Agricultura, o SENAI de Bissau,
o Ministério da Justiça, o Ministério das Comunicações, e o Instituto Nacional de Pesquisa Agrária (INPA). No Quadro 2, a seguir, encontram-se informações obtidas nas entrevistas, julgadas
importantes para o diagnóstico da situação atual
ou sugestões para o desenvolvimento do país. Para
fins deste estudo, consideramos a conceituação de
TS da Rede de Tecnologia Social8.
Discussão
Esta pesquisa teve como objetivo geral verificar se TS e ES podem ser soluções que resolvam
ou minimizem os problemas sociais em Guiné-Bissau. A partir desse conceito, consideramos
que as informações de número 1, 3, 5, 6, 10, 15,
16, 18, 20, 22, 24, 25, 26, 28, 31, 32, 34, 36, 37,
38, 40, 41, 42, e 43 estão alinhadas com esse conceito. Além disso, para fins deste estudo, foi utilizado o conceito de ES elaborado pelo MTE6. A
partir desse conceito, consideramos que as informações de número 2, 4, 5, 6, 11, 15, 16, 18, 32,
36, 37 e 38 estão alinhadas com tal conceito.
Uma ação prática está sendo elaborada para
compartilhar o conhecimento acumulado de TS
e ES do Brasil e de outros países com Guiné-Bissau, por meio de parcerias, acordos de cooperação
e outras diversas formas de auxiliar a diminuição
de problemas sociais no país. Tal ação foi a criação do Instituto de Tecnologia Social de Guiné-Bissau ou ITS Guiné-Bissau (http://sites.google.
com/site/itsbissau/home).
Uma limitação do trabalho foi não ter tido
uma entrevista com o Presidente Malan Bacai
Sanhá, que em conversa anterior à pesquisa se
mostrou interessado em apoiar o Instituto. Outra limitação foi a utilização de entrevistas não
estruturadas, que dificultam a comparação entre
as respostas dos entrevistados. Por outro lado, tal
forma de entrevista permite o aprofundamento
de assuntos considerados de interesse pelos pesquisadores.
Quadro 2: Informações obtidas nas entrevistas
Informações obtidas nas entrevistas
1. Necessidade de um programa de irrigação.
2. Formação de cooperativa para venda de produtos cultivados pelas mulheres guineenses no “Cinturão Verde”
(zonas trabalhadas por grupos de cerca de 250 mulheres, visando diminuir a perda do produto por falta
de mercado onde vender e agilizar a venda).
3. Potabilização da água (pois aumentaria a esperança de vida do guineense).
4. Aquisição de câmaras frigoríficas para conservação do produto da pesca
(em 2 horas o peixe está em mal estado e já não pode ser vendido), como também do caju.
5. Formação de cooperativa de pesca.
Interagir: pensando a extensão, Rio de Janeiro, n. 16, p. 21-28, jan./dez. 2011
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