Adelio Dias; Marta Macedo Kerr Pinheiro Política de Governo Eletrônico em Moçambique: um olhar na perspectiva de uma Cultura de Informação de nível cognitivo no indivíduo, de modo que este se apresente em melhores condições de decidir e exercer sua participação política e social com maior responsabilidade e consciência. 3 ANTECEDENTES E CENÁRIO ATUAL DA POLÍTICA DE GOVERNO ELETRÔNICO EM MOÇAMBIQUE Conforme afirmamos anteriormente, o e-Gov remete para a ideia de utilização das TIC (particularmente a internet) tendo em vista facilitar o acesso às páginas oficiais dos órgãos da administração pública e obter informações ou orientação em alguns procedimentos, bem como a preencher documentos de modo mais conveniente do que a maneira tradicional. No entanto, todos esses benefícios pressupõem, evidentemente, altos investimentos em tecnologia por parte do Estado com vista a estender ao cidadão os recursos que, efetivamente, vão permitir, em última instância, que ele possa comunicar-se virtualmente com o governo. Por outro lado, pressupõem a implementação de ações para erradicar o analfabetismo digital, decorrente de vários fatores, com destaque para a brusca mudança cultural conjugada com o grave problema da exclusão social. Nesse contexto, para o caso moçambicano, o surgimento da política de e-Gov deve ser analisado tendo em conta o percurso sociopolítico, associado às condições da infraestrutura tecnológica e comunicacional do país. Moçambique é um país jovem, independente de Portugal desde 1975. A população é estimada em 22.4 milhões de habitantes6, sendo que 9.8 milhões são do sexo masculino e 10.7 milhões do sexo feminino, com uma média de 26 habitantes por quilômetros quadrados (MOÇAMBIQUE, 2007). No que tange à situação econômica, as crises econômicas sucessivas, e os processos da reforma que marcaram Moçambique entre 1974/75 e 1999, aliados à guerra civil que devastou o país durante 16 anos, conduziram a significativos custos sociais. Esses custos refletiram-se na qualidade de vida dos cidadãos face à necessidade de contrair os níveis de consumo para adaptá-los à realidade econômica do país. A incapacidade e a impossibilidade do Estado para prover o bem estar social impediram que 6 De acordo com o Censo populacional de 2007 efetuado pelo Instituto Nacional de Estatística - INE. Inf. Inf., Londrina, v. 17, n. 1, p. 60 – 77, jan./jun. 2012 http://www.uel.br/revistas/informacao/             66

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