II SÉRIE — NO 2 «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 12 DE JANEIRO DE 2011
Em consideração a classificação adoptada pela comissão europeia na
sua recomendação de 13 de Fevereiro de 2003, a ANAC adoptou uma
tipologia que lhe parece mais apropriada tendo em conta o contexto
nacional. Deste modo, analisou sucessivamente:
1. Os mercados de reencaminhamento de chamadas;
3. Os mercados do acesso às infra-estruturas.
No caso de Cabo Verde, os serviços de grosso podem subdividir-se
consoante as características próprias das diferentes ofertas de serviços,
como se pode ver na tabela seguinte:
Na rede fixa
Por tipo de serviço ou segmento de
clientela
(b) O mercado de trânsito (mercado 3)
Originação (Recolha)
1
Terminação
2
Trânsito
3
Terminação
4
SMS
5
Em Cabo Verde, não existem operadores de trânsito “puros” cuja
única missão consiste em fornecer uma prestação de trânsito entre dois
operadores, quer seja para o encaminhamento do tráfego nacional, quer
seja para o internacional. Actualmente, único operador com condições
de fornecer prestações de trânsito em benefício de outros operadores é o
operador histórico. Posto isto, para um operador que pretenda utilizar
as ofertas de trânsito do operador histórico, não existe substituibilidade, nem do lado da oferta, nem do lado da procura.
As linhas alugadas
nacionais
6
O mercado de trânsito é, como tal, um mercado relevante.
As linhas alugadas
internacionais
7
Mercado de fornecimento grossista de
acesso à banda larga
8
Acesso desagregado
ao lacete local
9
Internacionais
10
Na rede móvel
Mercados de
aluguer por capacidade
Mercados de
acesso às infraestruturas
Com fios
Com fios
Ponderar uma substituibilidade do lado da oferta implica que um
operador tenha condições para oferecer, a curto prazo, uma prestação
de terminação na rede de outro operador. Na situação actual, o operador
de terminação é o único que reúne condições para localizar a pessoa
para a qual se liga, identificada por um número e terminar a chamada
para esse mesmo número.
Tendo em conta estas características, justifica-se definir o
mercado da terminação de chamadas de cada operador como
sendo mercados relevantes.
Tabela 1: Lista de mercados grossistas
Mercados de reencaminhamento
de chamadas
este é o único que pode encaminhar a chamada na última parte da sua
rede, até ao seu assinante. Deste modo, as prestações de terminação de
chamadas fornecidas por operadores diferentes não são substituíveis
do ponto de vista da procura.
Substituibilidade do lado da oferta
2. Os mercados de aluguer por capacidade; e
Por tecnologia suporte
17
1.2.2 Os mercados de aluguer por capacidade (mercados 6, 7 e 8)
(a) O mercado das linhas alugadas nacionais (mercado 6)
Como se pode ver, existem 10 mercados potenciais de serviços
grossistas, em que a metodologia previamente identificada permite
determinar se constituem ou não mercados relevantes.
1.2.1 Os mercados de reencaminhamento de chamadas
Estas prestações constituem o conjunto das prestações fornecidas
por um operador A a outro operador B, para:
● Recolher o tráfego proveniente dos assinantes deste operador
B (prestação de recolha entre o assinante e o ponto de
interligação de B para a rede de A);
● Terminar o tráfego dirigido ao operador B (prestação de
terminação a partir do ponto de interligação de B para a
rede de A até ao assinante);
● Encaminhar tráfego entre dois pontos de interligação do
operador B (prestações de trânsito).
No estado actual de desenvolvimento do mercado das comunicações
electrónicas em Cabo Verde, não há que analisar especificamente o
mercado da originação de chamadas (recolha), pelo que os mercados
de terminação de chamadas (nas redes fixa e móvel) e os mercados de
trânsito são os únicos a serem analisados.
(a) Os mercados de terminação de chamadas (mercados 2, 4 e 5)
A ANAC em conformidade com as práticas internacionais considerou
que existem tantos mercados relevantes quanto o número de operadores
que terminam chamadas nas suas redes, o que no caso de Cabo Verde
corresponde a três mercados distintos de terminação de chamadas.
Será, no entanto, esta distinção justificada tendo em conta os critérios
que permitem definir um mercado relevante?
Substituibilidade do lado da procura
Um operador A que queira terminar uma chamada para um assinante de outro operador B, não dispõe de quaisquer alternativas de
substituição à prestação de terminação desse operador B, sendo que
O mercado de linhas alugadas nacionais em Cabo Verde subdivide-se
em dois produtos distintos: as linhas intra-ilha e as linhas inter-ilhas.
(i) O mercado das linhas alugadas intra-ilha
No mercado intra-ilhas, os operadores implementaram as suas redes
em feixes hertzianos e em fibra óptica. Os operadores móveis implementam e dimensionam as redes para as suas próprias necessidades
e não numa óptica de revenda das capacidades. Do ponto de vista da
substituibilidade da procura, se algum operador pretender dispor de
linhas alugadas só se poderá virar para o operador histórico, pelo que
não há substituibilidade do lado da procura.
Do ponto de vista da oferta, existe uma possibilidade “teórica” de
substituição, uma vez que qualquer operador que disponha de capacidade pode substituir a oferta de linhas alugadas do único operador
existente. No entanto, e a curto prazo, esta possibilidade de substituição
da oferta mantém-se teórica, podendo os operadores substituir a oferta
do operador histórico, tendo dimensionado as suas redes para as suas
próprias necessidades e não dispõem de excedentes de capacidade.
O mercado das linhas alugadas intra-ilha é, como tal, um
mercado relevante
(ii) O mercado das linhas alugadas inter-ilha
Neste mercado, a única oferta disponível é a da fibra óptica operada
pelo operador histórico. Do ponto de vista da procura, se algum operador
pretender dispor de capacidade entre as ilhas só poderá recorrer à oferta
de linhas alugadas desse operador, já que as ofertas satélites eventualmente disponíveis não podem oferecer a mesma qualidade de serviço.
O mercado das linhas alugadas inter-ilhas é, como tal, um
mercado relevante
(b) O mercado das linhas alugadas internacionais (mercado 7)
O operador histórico é único operador que dispõe de um acesso às
infra-estruturas submarinas internacionais. Os restantes operadores
podem ter acesso internacional por intermédio do aluguer de capacidade
VSAT. Todavia, a qualidade das ofertas VSAT, designadamente o tempo
de latência, não permite que as ISPs ofereçam serviços equivalentes
através da VSAT àqueles que são permitidos pelo cabo submarino.
Como tal, não há lugar à substituibilidade do lado da procura entre
as ofertas de linhas alugadas internacionais e as ofertas satélites.
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