Adelio Dias; Marta Macedo Kerr Pinheiro Política de Governo Eletrônico em Moçambique: um olhar na perspectiva de uma Cultura de Informação Com esse objetivo percebe-se que é intenção do governo, tentar transformar o eGov num poderoso instrumento de acesso aos serviços públicos em todas as dimensões políticas e econômico-sociais na prática da governação, “ficando o seu maior ou menor impacto a depender do maior ou menor grau de integração transversal nas políticas, estratégias e programas dos governos assim como dos recursos disponibilizados para a sua materialização”. (MOÇAMBIQUE, 2006, p. 1). Contudo, pelas inferências desta pesquisa, constata-se que a operacionalização desse objetivo privilegia o determinismo tecnológico à frente dos aspetos educacionais, econômicos e socioculturais, o que torna o processo de implementação de e-Gov, tendo em vista uma efetiva relação Estado- sociedade, sem alcance de resultados efetivos. Para sustentar esta constatação, veja-se o depoimento de um dos entrevistados, (aqui identificado como Entrevistado- A), que manifesta tristeza pela escolha errada dos procedimentos na implementação da política de e-Gov em Moçambique: Sabe, em relação a essa questão, há-de acolher essa informação que lhe vou fornecer com um choque muito grande. Descobrimos que cerca de 95 a 96% da capacidade de informática, tanto a capacidade técnica, como em recursos humanos, estava concentrada na cidade capital e isto é extremamente grave (...). Como é que vamos desejar que o funcionário público, ou o cidadão manuseiem os instrumentos tecnológicos, para acederem às informações se esse mesmo funcionário, ou esse cidadão não tem noções mínimas de informática?! (...). Então, tivemos que sentar e avaliar e chegarmos a conclusão de que era preciso, primeiro, compreender o ambiente em que desejamos colocar a governação eletrônica e, com isso, descobrir formas para que essas pessoas tenham, efetivamente, acesso a informação por via das tecnologia (Entrevistado- A, 2011). O depoimento deste entrevistado corrobora com o reconhecimento do próprio governo, quanto ao fracasso que o processo conheceu ao longo dessa fase. Perante essa situação o governo traçou várias medidas corretivas para: i) corrigir a rigidez do setor público que não se adaptou às mudanças ocorridas no contexto da sua inserção; ii) superar as deficiências relacionadas com a capacidade técnica e de gestão para a elaboração, implementação e avaliação de políticas públicas; iii) elevar o nível de articulação governamental; iv) ampliar a transparência e a responsabilidade na gestão financeira e no uso dos recursos públicos; v) reduzir a distância entre o aparelho burocrático e a sociedade, conceber e operar mecanismos de participação do cidadão exigência básica dos processos democráticos; vi) implementar uma política de recursos humanos que proporcione a valorização, o incentivo e a qualificação do servidor público bem como a mudança de atitude, do conhecimento e elevação do seu grau de Inf. Inf., Londrina, v. 17, n. 1, p. 60 – 77, jan./jun. 2012 http://www.uel.br/revistas/informacao/             69

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