Artigo ração entre cooperativas; respeito e interesse pela comunidade onde a cooperativa está inserida. Existem diferenças entre as Cooperativas e os EES, embora os objetivos sejam os mesmos: o Cooperativismo tem seu regime jurídico próprio, ou seja, as cooperativas precisam obedecer a algumas exigências legais, conforme a Lei 5.764, de 16 de dezembro de 1971, que define a Política Nacional de Cooperativismo. Uma das exigências jurídicas para a caracterização de uma cooperativa, por exemplo, é o número mínimo de 20 (vinte) pessoas físicas. Segundo Singer1, a resposta mais frequente à crise do trabalho, por parte das pessoas atingidas tem sido a formação de cooperativas de trabalho para, mediante ajuda mútua, gerar trabalho e renda para cada membro. Ao mesmo tempo, empregadores pouco escrupulosos utilizam falsas cooperativas de trabalho para deixar de pagar os encargos trabalhistas, aproveitando-se do fato de que esses encargos não são cobrados de quem contrata trabalho autônomo, pois a lei considera o cooperador trabalhador autônomo. Além disso, cooperativas autênticas, na ânsia de conseguir contratos, rebaixam seus preços a ponto de abrir mão de muitos dos direitos sociais de seus associados. Já os EES não necessitam ter todas as características de uma cooperativa. Uma cooperativa é um EES, mas um EES muitas vezes não tem todas as características de uma cooperativa. Atualmente, no Brasil, EES são milhares de empreendimentos em todo o país, produzindo, vendendo, comprando solidariamente, gerando trabalho e renda. Segundo Singer1, a ES surge como modo de produção e distribuição alternativo ao capitalismo, criado e recriado periodicamente pelos que se encontram – ou temem ficar – marginalizados do mercado de trabalho. A economia solidária associa o princípio da unidade entre posse e uso dos meios de produção e distribuição [...] com o princípio da socialização dos meios. Para o MTE6, a ES é uma forma diferente de produzir, vender, comprar e trocar o que é preciso para viver, sem explorar, querer levar vantagem e destruir o ambiente, cooperando, fortalecendo o grupo, cada um pensando no bem de todos e no próprio bem. A ES vem se apresentando, nos últimos anos, como inovadora alternativa de geração de trabalho e renda e uma resposta a favor da inclusão social. Ela compreende uma diversidade de prá- 24 ticas econômicas e sociais organizadas sob a forma de cooperativas, associações, clubes de troca, empresas autogestionárias, redes de cooperação, entre outras, que realizam atividades de produção de bens, prestação de serviços, finanças solidárias, trocas, comércio justo e consumo solidário. Para fins deste estudo, foi considerada a caracterização do termo ES elaborada pelo MTE6. Embora TS e ES sejam conceitos diferentes, existe uma relação entre eles. Fonseca3 considera a TS como um elemento essencial para as ações de ES, sobretudo porque a ES é uma forma de organização social da produção. Para o pesquisador, isso significa que a ES organiza um coletivo de trabalhadores donos de seu próprio empreendimento, abrindo espaço para a propriedade coletiva e partilhada. Por isso, precisa necessariamente de sistemas tecnológicos que sejam adequados a essa forma diferenciada de organização. Metodologia Para a classificação da pesquisa, toma-se como base a taxonomia apresentada por Vergara7, que a qualifica em relação a dois aspectos: quanto aos fins e quanto aos meios. Quanto aos fins é uma pesquisa descritiva pelo fato de expor as características de problemas sociais em Guiné-Bissau. Quanto aos meios é uma pesquisa bibliográfica e de campo. Bibliográfica, pois foi feito um estudo sistemático em referências conhecidas e artigos que tratam do tema, para a fundamentação teórico-metodológica do trabalho. A pesquisa é de campo, pois os dados foram coletados em entrevistas e conversas em Guiné-Bissau. A pesquisa tem, como universo, gestores de órgãos públicos em Guiné-Bissau. No entanto, só foi possível obter dados em alguns órgãos públicos, mas tal amostra foi considerada representativa em relação ao universo, uma vez que foram entrevistadas pessoas que têm uma visão ampla dos problemas do país, como ministros, presidentes de empresas públicas e um embaixador. Foram considerados sujeitos desta pesquisa os funcionários e gestores de órgãos públicos que têm conhecimento de problemas sociais de Guiné-Bissau. Os dados foram coletados por meio de pesquisa bibliográfica e de campo: no campo, a investigação foi realizada por meio de entrevistas não estruturadas. Para preservar os dados obtidos, utilizou-se Interagir: pensando a extensão, Rio de Janeiro, n. 16, p. 21-28, jan./dez. 2011

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