Adelio Dias; Marta Macedo Kerr Pinheiro Política de Governo Eletrônico em Moçambique: um olhar na perspectiva de uma Cultura de Informação 1 INTRODUÇÃO Na atualidade, é já consensual que diversos governos de diferentes países busquem adaptar-se às realidades derivadas do estabelecimento da Sociedade da Informação (SI), onde as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) exercem grande influência na forma como o Estado cumpre as suas principais tarefas. Quer nas organizações públicas, quer nas privadas, elas surgem como ferramentas que permitem gerir a informação em novos moldes, de modo a agilizar o seu fluxo e tornar mais eficiente a sua transmissão em relação a tempo, fronteiras e recursos. Através do uso intensivo de ferramentas tecnológicas, os atuais governos buscam, através de programas e/ou políticas de informação, o controle, fluxos e usos de toda uma cadeia de produção da informação para a exercitação do poder, quer no contexto nacional, como no internacional (BRAMAN, 2006). Dentre esses programas destaca-se o governo eletrônico (e-Gov) como um dos principais instrumentos de aplicação. O conceito de e-Gov foi criado, não apenas para dar maior eficiência e eficácia às práticas e ações internas do Estado com vista ao oferecimento de serviços públicos, mas também para proporcionar, através do uso das TIC, uma boa relação com a sociedade no que tange à participação e controle das atividades do Estado. A expressão formalizou-se internacionalmente em janeiro de 1999 quando Al Gore, então vice-presidente dos EUA, abriu em Washington o Fórum Global sobre Reinvenção do Governo, com a presença de 45 países, cujo objetivo era melhorar a compreensão das alternativas disponíveis para a criação de instituições democráticas que fossem compatíveis com as necessidades e características da atual era da informação. A partir de então, o termo e-Gov passou a ingressar nas agendas governamentais como assunto de grande relevância, notadamente associado aos movimentos de reforma do Estado e às transformações na administração pública. É no âmbito da construção da política de e-Gov, como subdomínio das políticas públicas de informação em Moçambique, que o presente artigo se propõe a discutir a noção de cultura de informação no desenho ou concepção do documento de explicitação dessa política, como um aspecto efetivo na relação Estado e sociedade. Inf. Inf., Londrina, v. 17, n. 1, p. 60 – 77, jan./jun. 2012 http://www.uel.br/revistas/informacao/             61

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