Instituto de Tecnologia Social de Guiné-Bissau: geração e compartilhamento de soluções simples para problemas complexos De acordo com Fonseca3, o que realmente distingue a TC da TS são os valores e as intenções colocadas no desenvolvimento de cada tecnologia. A TC, por exemplo, é desenvolvida, em geral, com o interesse de reproduzir o capital e controlar o trabalho, de modo que um ator externo à atividade sempre controle o trabalho de outros. Nesse sentido, ela é também uma forma de controle social. Quando se fala em TS, fala-se em tecnologias que são controladas pelo próprio produtor. Para Fonseca4, não é um fato plenamente aceito a ideia de que a Política Científica e Tecnológica pode contribuir diretamente para a inclusão social. Para o pesquisador, a visão hegemônica é de que a contribuição dessa política se daria como consequência do desenvolvimento econômico promovido pelas empresas privadas que usam conhecimento científico e tecnológico. Segundo Fonseca4, constitui-se, dessa forma, a concepção linear da conversão do avanço científico em avanço tecnológico que, por sua vez, irá gerar desenvolvimento econômico e social. Essa concepção questionável considera que o avanço científico gera avanço tecnológico, e que tal avanço aumenta o desenvolvimento econômico que, por sua vez, aumenta o nível de desenvolvimento social. Para Fonseca4, dentro desta visão de mundo mecanicista e linear – que ficou conhecida como a Cadeia Linear de Inovação – o avanço científico, tecnológico e o desenvolvimento econômico são condições necessárias e suficientes para a consolidação do elemento seguinte, sendo a Ciência o ponto de partida para um fim específico: o desenvolvimento social. O que observamos é que a Ciência vem avançando significativamente com o passar dos anos, mas nem sempre acompanha as inovações tecnológicas. Além disso, a distância entre países ricos e pobres vem aumentando, e o desenvolvimento econômico e social não parecem diretamente relacionados ao avanço tecnológico. Por exemplo, Brasil e Guiné-Bissau têm uma expressiva quantidade de artigos publicados, ou seja, ambos têm um razoável avanço científico, mas não têm um avanço tecnológico proporcional. Ademais, o Brasil está tendo um bom desenvolvimento econômico mesmo sem desenvolver um avanço tecnológico razoável e grande parte do seu desenvolvimento social não está relacionado ao desenvolvimento econômico, mas sim aos programas sociais, dentre eles a TS e a ES. Economia Solidária Para discutirmos ES e os Empreendimentos Econômicos Solidários (EES), considera-se importante discutir previamente o Cooperativismo. Segundo Cunha5, a cooperativa surge da livre iniciativa de seus membros e ninguém pode ser coagido a entrar ou ficar nela. A cooperativa é uma organização autônoma: tudo que se refere a ela deve ser decidido por seus próprios membros em assembleia, e não por pessoas ou instituições externas. Também não pode haver distinção entre os sócios quanto à capacidade de decisão, segundo o princípio “uma pessoa, um voto”. Isto não significa que não há dirigentes para representar a cooperativa e para tomar decisões administrativas cotidianas, mas estes são cargos eleitos – e é inclusive desejável que neles haja rodízio, para não introduzir a hierarquia e a desigualdade. Outra característica fundamental para garantir a democracia deve ser a transparência das informações sobre a cooperativa, o que difere completamente do que ocorre em uma empresa capitalista5. No cooperativismo, os ganhos da atividade econômica devem ser repartidos entre os sócios de acordo com critérios discutidos e aprovados por todos. A maioria das cooperativas não chega a implantar a igualdade econômica absoluta, por conta das diferenças de qualificação e função que ainda persistem. Entretanto, a diferença entre a maior e a menor remuneração dentro das cooperativas é menor do que nas grandes empresas capitalistas, e os cooperados podem estabelecer limites para esta diferença. Já os excedentes – chamados “sobras” nas cooperativas – também são destinados a fins decididos por todos. Em geral, as sobras são reinvestidas na própria empresa coletiva, ou destinadas a fundos comuns (para educação e assistência social dos sócios, e outros fundos que substituam as proteções sociais garantidas por lei aos trabalhadores assalariados formais), ou até repartidas entre os cooperados – mas o importante é que tudo isso pode ser decidido por eles mesmos, de forma democrática5. A Aliança Cooperativa Internacional definiu os seguintes princípios do cooperativismo, inspirados nos princípios dos Pioneiros de Rochdale: adesão voluntária e aberta; controle democrático dos sócios; participação econômica dos sócios; autonomia e independência da cooperativa; educação, treinamento e informação para os sócios; coope- Interagir: pensando a extensão, Rio de Janeiro, n. 16, p. 21-28, jan./dez. 2011 23

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