Código Civil
Livro III – Direito das Coisas
SUBSECÇÃO IV
Acessão industrial imobiliária
Artigo 1339º
(Obras, sementeiras ou plantações com materiais alheios)
Aquele que em terreno seu construir obra ou fizer sementeira ou plantação com
materiais, sementes ou plantas alheias adquire os materiais, sementes ou plantas que
utilizou, pagando o respectivo valor, além da indemnização a que haja lugar.
Artigo 1340º
(Obras, sementeiras ou plantações feitas de boa fé em terreno alheio)
1. Se alguém, de boa fé, construir obra em terreno alheio, ou nele fizer sementeira
ou plantação, e o valor que as obras, sementeiras ou plantações tiverem trazido à
totalidade do prédio for maior do que o valor que este tinha antes, o autor da incorporação adquire a propriedade dele, pagando o valor que o prédio tinha antes das obras,
sementeiras ou plantações.
2. Se o valor acrescentado for igual, haverá licitação entre o antigo dono e o autor
da incorporação, pela forma estabelecida no nº 2 do artigo 1333º.
3. Se o valor acrescentado for menor, as obras, sementeiras ou plantações pertencem
ao dono do terreno, com obrigação de indemnizar o autor delas do valor que tinham
ao tempo da incorporação.
4. Entende-se que houve boa fé, se o autor da obra, sementeira ou plantação desconhecia que o terreno era alheio, ou se foi autorizada a incorporação pelo dono do
terreno.
Artigo 1341º
(Obras, sementeiras ou plantações feitas de má fé em terreno alheio)
Se a obra, sementeira ou plantação for feita de má fé, tem o dono do terreno o direito
de exigir que seja desfeita e que o terreno seja restituído ao seu primitivo estado à custa
do autor dela, ou, se o preferir, o direito de ficar com a obra, sementeira ou plantação
pelo valor que for fixado segundo as regras do enriquecimento sem causa.
Artigo 1342º
(Obras, sementeiras ou plantações feitas com materiais alheios
em terreno alheio)
1. Quando as obras, sementeiras ou plantações sejam feitas em terreno alheio com
materiais, sementes ou plantas alheias, ao dono dos materiais, sementes ou plantas
cabem os direitos conferidos no artigo 1340º ao autor da incorporação, quer este esteja
de boa, quer de má fé.
2. Se, porém, o dono dos materiais, sementes ou plantas tiver culpa, é-lhe aplicável
o disposto no artigo antecedente em relação ao autor da incorporação; neste caso, se
o autor da incorporação estiver de má fé, é solidária a responsabilidade de ambos, e
a divisão do enriquecimento é feita em proporção do valor dos materiais, sementes ou
334 plantas e da mão-de-obra.
Artigo 1343º
(Prolongamento de edifício por terreno alheio)
1. Quando na construção de um edifício em terreno próprio se ocupe, de boa fé, uma
parcela de terreno alheio, o construtor pode adquirir a propriedade do terreno ocupado,
se tiverem decorrido três meses a contar do início da ocupação, sem oposição do
proprietário, pagando o valor do terreno e reparando o prejuízo causado, designadamente o resultante da depreciação eventual do terreno restante.
2. É aplicável o disposto no número anterior relativamente a qualquer direito real
de terceiro sobre o terreno ocupado.
CAPÍTULO III
Propriedade de imóveis
SECÇÃO I
Disposições gerais
Artigo 1344º
(Limites materiais)
1. A propriedade dos imóveis abrange o espaço aéreo correspondente à superfície,
bem como o subsolo, com tudo o que neles se contém e não esteja desintegrado do
domínio por lei ou negócio jurídico.
2. O proprietário não pode, todavia, proibir os actos de terceiro que, pela altura ou
profundidade a que têm lugar, não haja interesse em impedir.
Os proprietários dos prédios urbanos na Guiné-Bissau já não podem ser proprietários, nem do
solo sobre que se acham implantados os seus prédios, nem do subsolo, com tudo o que nele existir,
porquanto a propriedade do solo e do subsolo é tão só do Estado nos termos da Lei nº 4/75 e da Constituição
da República, no seu artigo 12º, conforme anotações supra.
Artigo 1345º
(Coisas imóveis sem dono conhecido)
As coisas imóveis sem dono conhecido consideram-se do património do Estado.
Artigo 1346º
(Emissão de fumo, produção de ruídos e factos semelhantes)
O proprietário de um imóvel pode opor-se à emissão de fumo, fuligem, vapores,
cheiros, calor ou ruídos, bem como à produção de trepidações e a outros quaisquer
factos semelhantes, provenientes de prédio vizinho, sempre que tais factos importem
um prejuízo substancial para o uso do imóvel ou não resultem da utilização normal
do prédio de que emanam.
Artigo 1347º
(Instalações prejudiciais)
1. O proprietário não pode construir nem manter no seu prédio quaisquer obras,
instalações ou depósitos de substâncias corrosivas ou perigosas, se for de recear que
possam ter sobre o prédio vizinho efeitos nocivos não permitidos por lei.
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