Código Civil
c) De exigir a substituição ou o reforço do penhor ou o cumprimento imediato da
obrigação, se a coisa empenhada perecer ou se tornar insuficiente para segurança da
dívida, nos termos fixados para a garantia hipotecária.
Artigo 671º
(Deveres do credor pignoratício)
O credor pignoratício é obrigado:
a) A guardar e administrar como um proprietário diligente a coisa empenhada,
respondendo pela sua existência e conservação;
b) A não usar dela sem consentimento do autor do penhor, excepto se o uso for
indispensável à conservação da coisa;
c) A restituir a coisa, extinta a obrigação a que serve de garantia.
Artigo 672º
(Frutos da coisa empenhada)
1. Os frutos da coisa empenhada serão encontrados nas despesas feitas com ela e nos
juros vencidos, devendo o excesso, na falta de convenção em contrário, ser abatido
no capital que for devido.
2. Havendo lugar à restituição de frutos, não se consideram estes, salvo convenção
em contrário, abrangidos pelo penhor.
Artigo 673º
(Uso da coisa empenhada)
Se o credor usar da coisa empenhada contra o disposto na alínea b) do artigo 671º,
ou proceder de forma que a coisa corra o risco de perder-se ou deteriorar-se, tem o autor
do penhor o direito de exigir que ele preste caução idónea ou que a coisa seja depositada
em poder de terceiro.
Artigo 674º
(Venda antecipada)
1. Sempre que haja receio fundado de que a coisa empenhada se perca ou deteriore,
tem o credor, bem como o autor do penhor, a faculdade de proceder à venda antecipada
da coisa, mediante prévia autorização judicial.
2. Sobre o produto da venda fica o credor com os direitos que lhe cabiam em relação
à coisa vendida, podendo o tribunal, no entanto, ordenar que o preço seja depositado.
3. O autor do penhor tem a faculdade de impedir a venda antecipada da coisa,
oferecendo outra garantia real idónea.
Artigo 675º
(Execução do penhor)
1. Vencida a obrigação, adquire o credor o direito de se pagar pelo produto da venda
judicial da coisa empenhada, podendo a venda ser feita extrajudicialmente, se as partes
assim o tiverem convencionado.
2. É lícito aos interessados convencionar que a coisa empenhada seja adjudicada
180 ao credor pelo valor que o tribunal fixar.
Livro II – Direito das Obrigações
Artigo 676º
(Cessão da garantia)
1. O direito de penhor pode ser transmitido independentemente da cessão do
crédito, sendo aplicável neste caso, com as necessárias adaptações, o disposto sobre
a transmissão da hipoteca.
2. À entrega da coisa empenhada ao cessionário é aplicável o disposto no nº 2 do
artigo 582º.
Artigo 677º
(Extinção do penhor)
O penhor extingue-se pela restituição da coisa empenhada, ou do documento a que
se refere o nº 1 do artigo 669º, e ainda pelas mesmas causas por que cessa o direito da
hipoteca, com excepção da indicada na alínea b) do artigo 730º.
Artigo 678º
(Remissão)
São aplicáveis ao penhor, com as necessárias adaptações, os artigos 692º, 694º a
699º, 701º e 702º.
SUBSECÇÃO III
Penhor de direitos
Artigo 679º
(Disposições aplicáveis)
São extensivas ao penhor de direitos, com as necessárias adaptações, as disposições
da subsecção anterior, em tudo o que não seja contrariado pela natureza especial desse
penhor ou pelo preceituado nos artigos subsequentes.
Artigo 680º
(Objecto)
Só é admitido o penhor de direitos quando estes tenham por objecto coisas móveis
e sejam susceptíveis de transmissão.
Artigo 681º
(Forma e publicidade)
1. A constituição do penhor de direitos está sujeita à forma e publicidade exigidas
para a transmissão dos direitos empenhados.
2. Se, porém, tiver por objecto um crédito, o penhor só produz os seus efeitos desde
que seja notificado ao respectivo devedor, ou desde que este o aceite, salvo tratando-se de penhor sujeito a registo, pois neste caso produz os seus efeitos a partir do registo.
3. A ineficácia do penhor por falta de notificação ou registo não impede a aplicação,
com as necessárias correcções, do disposto no nº 2 do artigo 583º.
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