Adelio Dias; Marta Macedo Kerr Pinheiro
Política de Governo Eletrônico em Moçambique: um olhar na perspectiva de uma Cultura de
Informação
Elaboram seus modos de pensar e sentir, constroem seus valores, manejam suas
identidades e diferenças e estabelecem suas rotinas. Desta forma, cada indivíduo
ergue à sua volta, e em função de determinações de tipo diverso, pequenos
mundos de sentido que lhe permitem uma relativa estabilidade. Desse modo, a
cultura fornece aos indivíduos aquilo que é chamado por Michel de Certeau, de
“equilíbrios simbólicos, contratos de compatibilidade e compromissos mais ou
menos temporários” (BOTELHO, 2001, p.74).
No processo de construção desse universo protegido, diversos fatores são levados
em consideração, e podem ser determinados pelas origens regionais de cada um, em
função de vários interesses, desde os profissionais, econômicos e esportivos, a interesses
de origens étnicas, culturais, entre outros. E, no processo de construção desses
pequenos mundos, a sociabilidade, com vista a uma melhor interação entre os indivíduos,
constitui um aspeto básico (BOTELHO, 2001, p. 74).
Laraia (2007, p. 48), cita o trabalho de Kroeber3 (1949), no qual se coloca que o
indivíduo, adquirindo cultura, passou a depender muito mais do aprendizado do que o agir
através de atitudes geneticamente determinadas.
Embora o conceito de cultura abrangendo as duas dimensões seja importante, no
contexto do presente artigo fixaremos na perspectiva antropológica, na medida em que
nela o termo cultura remete para o caráter de partilha de conhecimentos, onde o indivíduo
se encontra envolvido num “processo de formação, trazendo consigo uma idéia de cultivo
e transmissão de hábitos, valores e conhecimentos, e de preparação do futuro adulto, para
o seu ajustamento social enquanto indivíduo” (MARTELETO, 1992, p. 21).
Nesse sentido, esse processo de formação do indivíduo depende de mudanças
radicais, que interferem nos hábitos e costumes de cada um, sobretudo no que se refere
às relações de vizinhança, a sociabilidade, entre outros.
No mundo contemporâneo, a informação corresponde a uma maneira de construir
a cultura num processo que se dá através de compartilhamento de informações. O
aprendizado do mundo é realizado, hoje, não por uma relação direta, mas antes, mediado
pelas informações que ordenam nossa cultura e dão sentido a nossa relação com o
mundo. Ao mesmo tempo em que as informações são geradas, preservadas e
transmitidas através da cultura, à produção e reprodução dos artefatos culturais em nossa
sociedade dão-se a partir do modo informacional (MARTELETO, 1992), num contexto em
3
KROEBER, Alfred. “O superorgânico”. In: Donald Pierson (org.). Estudos de organização social, São Paulo:
Livraria Martins Editora, 1949.
Inf. Inf., Londrina, v. 17, n. 1, p. 60 – 77, jan./jun. 2012
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