Adelio Dias; Marta Macedo Kerr Pinheiro
Política de Governo Eletrônico em Moçambique: um olhar na perspectiva de uma Cultura de
Informação
se criasse um sistema para a minimização dos efeitos sociais negativos das reformas
econômicas, elevando os níveis de pobreza e o crescimento da exclusão, da reivindicação
e da violência (DIAS, 2006).
A título de exemplo, no setor da educação, e apesar de avanços assinaláveis,
subsistem enormes desafios, pois, dos cerca de 60% da população que era analfabeta em
1997, passada dez anos, em 2007, este percentual reduziu apenas para 55,6%
(MOÇAMBIQUE, 2007).
É de se destacar que o nível de analfabetismo em Moçambique apresenta
diferenças entre as regiões do país, entre os sexos e entre as áreas rurais e urbanas,
sendo naturalmente maior nas áreas rurais, onde poucas mulheres sabem ler e escrever
(RELATÓRIO…, 2007, p. 3).
Não obstante os esforços do governo para minimizar esse problema ainda se
registram uma “baixa eficácia interna” do ensino, com níveis de rendimento pedagógico
manifestamente baixo, fenômeno que está relacionado com a questão da língua de ensino,
particularmente nos níveis Fundamental e Médio.
Recorde-se que o português é a língua oficial do país, de ensino e, o fato da maioria
dos alunos entrarem na escola falando sua língua materna7, diferente da do ensino, faz
com que “muitas competências e habilidades, sobretudo a competência comunicativa,
adquirida pelas crianças, antes de entrarem na escola, não sejam aproveitadas”
(MOÇAMBIQUE, 1999, p. 6), o que resulta, por sua vez, em alta retenção e/ou abandono
escolar por parte dos alunos. Apenas a partir de 2005 é que o governo, estando ciente
desse fato, introduziu um projeto piloto no qual, nas primeiras classes do ensino, e em
paralelo com o português, as matérias são transmitidas, também, na língua materna da
criança.
Em nível da comunicação, de acordo com Mabunda (2005), depois da
independência, a rede de cobertura de transportes e comunicações não fugiu à
precariedade dos aspetos acima relatados. O país continuou com a sua infraestrutura
comunicacional bastante precária. Até aos dias de hoje, a rede viária ainda é insuficiente,
cobrindo essencialmente as zonas urbanas e estabelecendo alguma ligação entre elas,
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De acordo com INDE (2007), apenas 6% da população moçambicana tem o português como língua maternal.
Inf. Inf., Londrina, v. 17, n. 1, p. 60 – 77, jan./jun. 2012
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