Adelio Dias; Marta Macedo Kerr Pinheiro
Política de Governo Eletrônico em Moçambique: um olhar na perspectiva de uma Cultura de
Informação
apesar do crescimento do uso das TIC durante os anos 1990. Esse crescimento fez com
que a lacuna na telefonia fixa e móvel diminuísse, mas, em contrapartida, uma enorme
desigualdade digital emergia e continua a crescer a cada dia. A título de exemplo, em
Moçambique, o telefone que na época colonial não era de conhecimento de muitos
nativos, atualmente, concretamente a partir de 2006, como afirmamos anteriormente, a
telefonia móvel registrou uma grande melhoria em termos de expansão e facilidades de
uso. Mas dados revelam que os índices de exclusão digital continuam altos devido à falta
de investimentos sérios em infraestrutura tecnológica e de recursos.
A esse propósito, Aun (2001)9 enfatiza que o acesso à informação através do eGov dependeria de dois fatores importantes:
O primeiro é a exigência de infra-estrutura de tecnologia de redes informacionais e
de avanços na área de telecomunicações. O segundo, o mais complicado, é o de
acesso aos conteúdos informacionais exigindo nova formação educacional, onde
além da capacidade de domínio técnico, os cidadãos precisam transformar
informação em conhecimento para utilizá-lo de forma precisa e rápida. Exige como
decorrência, saber selecionar, filtrar, reprocessar dados e informações, nem
sempre de forma automática, mas de forma individualizada e dependente de
contextos possibilitadores desse complexo processo (AUN, 2001, p.14).
Na verdade, os obstáculos ao progresso dos países periféricos, como
Moçambique, “não estão na dificuldade de acesso aos capitais, mas sim no fato deles não
disporem de conhecimentos suficientes para fazer uso das TIC” (LASTRES, 2000, p. 4).
Diante desse constrangimento cabe afirmar que o projeto do e-Gov de
Moçambique, apesar de, na sua composição, ter definido a informação como prioridade, o
que se verifica é que os aspetos/condições sociais e técnico-científicos do país não se
alinham com aquilo que são as práticas, estruturas e política de e-Gov para que a
informação chegue, efetivamente, aos cidadãos. Ou seja, na preparação da política do eGov de Moçambique, não nos parece que tenham sido observadas etapas básicas e
importantes, nomeadamente, as relacionadas com os estudos de viabilidade, com vista a
avaliar o nível de interesse e adequação dos cidadãos em relação às TIC. Tanto na
política de informática, como no próprio projeto de e-Gov,
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Antigo sobrenome de Marta Macedo Kerr Pinheiro.
Inf. Inf., Londrina, v. 17, n. 1, p. 60 – 77, jan./jun. 2012
http://www.uel.br/revistas/informacao/
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