Adelio Dias; Marta Macedo Kerr Pinheiro
Política de Governo Eletrônico em Moçambique: um olhar na perspectiva de uma Cultura de
Informação
o processo da informação não aparece como aspeto central em sua
implementação. O mesmo pode-se afirmar em relação à representação da
sociedade civil em que sua participação se inscreve apenas em processos de
consultas esporádicas para legitimar o processo de sua implementação e não em
mecanismos institucionalizados para o efeito (NHARRELUGA, 2006, p. 154).
Perante esse quadro parece ficar claro que, em Moçambique, a formulação e
implementação atual da política de e-Gov não prevê os aspectos socioculturais inerentes
ao país. O país situa-se numa das regiões onde existe um “estrangulamento” profundo
com relação à distribuição e domínio das TIC, com níveis de conexão à internet
extremamente baixa, se comparados com os países desenvolvidos. Numa avaliação feita
a 152 países, pela União Internacional de Telecomunicações- UIT10, para medir o nível de
acesso, uso e capacidade das TIC, referente ao período 2008/2010, Moçambique figura
entre os dez últimos países na classificação (juntamente com Papua Nova Guiné, Guiné,
Mali, República Democrática de Congo, Eritréia, Burkina Faso, Etiópia, Níger e Tchad),
ocupando o 145º lugar. No topo do ranking temos os seguintes países: República da
Corea, Suécia, Islândia, Dinamarca, Finlândia, Hong Kong (China), Luxemburgo, Suíça,
Holanda e Reino Unido.
Além das deficiências de infraestrutura, acresce-se o problema de analfabetismo,
sobretudo funcional que, também, contribui para que a maioria dos cidadãos
moçambicanos não possua habilidade/capacidade para ter os acessos plurais aos
produtos informacionais disponíveis via TIC e aplicá-los em novos contextos.
Nesse cenário, e como tentativa de “puxar” pelos países periféricos, vale resgatar o
pronunciamento de Aun (2001) que considerara ser um erro, dar primazia o domínio
técnico das TIC no processo de acesso a informação. Torna-se, primeiramente,
“necessária a aquisição de maior competência intelectual para melhor assimilação de
conteúdos culturais e utilização de novos instrumentos” (AUN, 2001, p. 27).
Seguindo o raciocínio desta autora, temos que, ainda que a infraestrutura
tecnológica não seja de grande nível para a implementação da política de e-Gov em
Moçambique, esse fato não deve ser considerado como elemento impeditivo para
manusear, com sucesso, as informações veiculadas por essa via. O que poderá impedir a
assimilação é a falta de domínio dos conteúdos informacionais. É verdade que esse não é
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Tabela disponível em: <http://www.itu.int/dms_pub/itu-d/opb/ind/D-IND-ICTOI-2011-SUM-PDF-E.pdf . Acesso
em: set. de 2011.
Inf. Inf., Londrina, v. 17, n. 1, p. 60 – 77, jan./jun. 2012
http://www.uel.br/revistas/informacao/
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