Adelio Dias; Marta Macedo Kerr Pinheiro
Política de Governo Eletrônico em Moçambique: um olhar na perspectiva de uma Cultura de
Informação
o único obstáculo de acesso a esses conteúdos, temos também a questão do “dilúvio
informacional” (LEVY, 1999) ou, na concepção de Araujo (1995), “entropia de
informações”, que se caracteriza pela dificuldade de obtenção de informações perdidas
em sua abundância, duplicação ou excesso. Ou seja, diante de uma variedade de
informações, é necessário possuir uma cultura de informação, algo que por si mesmo
implica a consideração e adaptação de outras culturas preexistentes, que qualificarão o
cidadão no domínio dos artefatos técnicos e as informações por eles distribuídas, com
vista a permitir uma melhor seleção, construção, socialização e compartilhamento da
informação para uso presente e futuro.
Nesse processo, o Estado tem, então, a responsabilidade de criar condições para
que a integração da cultura de informação seja garantida entre os cidadãos. Essa
responsabilidade poderá ser partilhada com outros atores e instituições públicas, como é
o caso do Ministério da Educação que, nos currículos escolares, poderá contar, por
exemplo, com a disciplina de Tecnologias de Informação e Comunicação, a ser concebida
apenas como ferramenta do aprendizado, mas que, na verdade, permitiria que os alunos
começassem a familiarizar-se com a cultura de busca crítica de informações através
desses artefatos tecnológicos.
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
O objetivo deste artigo era o de trazer para reflexão à possibilidade de se
considerar a cultura de informação, na formulação e implementação do e-Gov como
subdomínio da política de informação em Moçambique, tendo em conta a situação
sociocultural do país. Tomou-se como suporte a escassa literatura existente sobre o
assunto que aponta, no panorama moçambicano, a ausência de explicitação da
informação governamental que norteia os seus programas e ações, particularmente o
projeto de governo eletrônico.
O artigo, embasado na pesquisa de doutorado, aponta para a existência, em
Moçambique, de certa fragilidade de recursos e estruturas de informação reiterada pela
ausência da inclusão, nas políticas públicas de informação, dos aspectos inerentes às
realidades sócio-culturais do país. E como consequência disso, a dimensão da
Inf. Inf., Londrina, v. 17, n. 1, p. 60 – 77, jan./jun. 2012
http://www.uel.br/revistas/informacao/
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