Adelio Dias; Marta Macedo Kerr Pinheiro Política de Governo Eletrônico em Moçambique: um olhar na perspectiva de uma Cultura de Informação consciência ética e sentido de responsabilidade e compromisso para com o cidadão (MOÇAMBIQUE, 2001, p. 24). POSSIBILIDADES, DESAFIOS E PERSPETIVAS DA UTILIZAÇÃO DO CONCEITO DE CULTURA DE INFORMAÇÃO NO CONTEXTO DA POLÍTICA DE EGOV EM MOÇAMBIQUE 4 O cenário acima apresentado remete à constatação de que a política de governo eletrônico de Moçambique caracteriza-se pela ausência de uma das quatro perspetivas do e-Gov, segundo a concepção de Lenk e Traunmuller (2001). Trata-se da perspectiva do cidadão, cujas premissas são baseadas na eficácia e qualidade dos serviços de utilidade pública prestados ao cidadão8. O sucesso do e-Gov analisado e condicionado pela perspectiva do cidadão requer, em contrapartida, que este parta de uma cultura onde possa dominar conteúdos e aparatos tecnológicos que o possibilitará de manusear os conteúdos informacionais disponibilizados através das tecnologias de informação e, posteriormente, munido de uma competência informacional individual, sintetizar e compartilhar esses conteúdos para o uso em outros contextos e diferentes aplicações. Só a partir daí, esse cidadão torna-se um ator ou interlocutor pleno com o seu Estado e suas políticas. Os fatores que condicionam a cultura de informação podem-se enquadrar no contexto do Fórum realizado nos Estados Unidos da América, em 1999, sobre a criação do e-Gov que visava à melhoria do desempenho dos governos e o fortalecimento das relações com o seu povo, onde um dos princípios acordados foi de que a inclusão digital deveria figurar entre as metas da criação do e-Gov o que não significava, com isso, apenas tornar os computadores economicamente acessíveis a todos, mas também tornar os sites do governo amigáveis em seu uso. Nos países em desenvolvimento, a falta de uma infraestrutura de telecomunicação continua a ser um fator crítico de fracasso no processo para minimizar a exclusão digital, 8 Para além desta perspectiva centrada no Cidadão, as três restantes, segundo os autores são as seguintes: i) Perspectiva de Processos, visando repensar o modus-operandi dos processos produtivos ora existentes no Governo em suas várias esferas; ii) Perspectiva de Cooperação, que visa integrar os vários órgãos governamentais, e estes com outras organizações privadas e não-governamentais, de modo a que o processo decisório possa ser agilizado, sem perda de qualidade, assim como evitar-se fragmentação, redundâncias, hoje existentes nas relações entre os vários atores; e iii) Perspectiva da Gestão do Conhecimento que visa permitir ao governo, em suas várias esferas, criar, gerenciar e disponibilizar em repositórios adequados o conhecimento tanto gerado quanto acumulado por seus vários órgãos. (LENK; TRAUNMULLER, 2001) Inf. Inf., Londrina, v. 17, n. 1, p. 60 – 77, jan./jun. 2012 http://www.uel.br/revistas/informacao/             70

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